Agenda coletiva recebe inscrições de atividades até 25 de fevereiro; e tem como tema “Seguimos em Marcha pela Vida das Mulheres Negras”
*Por Redação AMNB
Estão abertas as inscrições para a 8ª edição do Março de Lutas, agenda coletiva de mobilização e incidência política dos Movimentos de Mulheres Negras. Em 2026, com o tema “Seguimos em Marcha pela Vida das Mulheres Negras”, a iniciativa reafirma a continuidade da luta por direitos, dignidade e justiça social, enegrecendo o debate do Dia Internacional da Mulher, historicamente marcado por perspectivas que não incluem as mulheres negras.
Entre 10 e 25 de fevereiro, organizações e coletivos de mulheres negras, movimentos negros, organizações da sociedade civil comprometidas com o enfrentamento ao racismo e ao sexismo, instituições de ensino, grupos de pesquisa, associações de categorias trabalhistas, além de grupos e empreendedoras negras individuais, podem inscrever suas atividades para a agenda coletiva, que será lançada no dia 7 de março.
Construído a partir da parceria entre a Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Rede de Mulheres Negras do Nordeste e Rede Fulanas – Negras da Amazônia Brasileira, o Março de Lutas foi criado em 2019 pelo Odara – Instituto da Mulher Negra, com o objetivo de evidenciar e enfrentar as múltiplas formas de racismo e sexismo que impactam de maneira brutal a vida das mulheres negras, além de fortalecer a luta por condições dignas de existência.
Ao longo dos anos, o Março de Lutas consolidou-se como um tempo político de articulação, troca de experiências e construção coletiva, no qual práticas, saberes e estratégias fortalecem a rede de uma agenda radical de enfrentamento às desigualdades, disputada no Brasil e no mundo a partir das experiências das mulheres negras.
Inscrições podem ser realizadas através do link: https://forms.gle/EVg2zVdNELnVXqj89
SOBRE O TEMA DA 8ª EDIÇÃO
De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, 63,6% das vítimas de feminicídio no Brasil são mulheres negras. Em sua maioria jovens, essas mulheres são assassinadas dentro de casa e, frequentemente, por companheiros ou ex-companheiros.
Esse dado dialoga diretamente com um cenário mais amplo de violações de direitos que atravessam a vida das mulheres negras no país. Apesar de serem centrais na sustentação de suas famílias e territórios, seguem sub-representadas nos espaços de poder e decisão política. Ao mesmo tempo, são as principais vítimas da violência de gênero, da precarização do trabalho, do encarceramento em massa e da insegurança alimentar.
É diante desse cenário que o Março de Lutas reafirma a urgência de seguir em marcha fortalecendo estratégias coletivas de enfrentamento ao racismo e ao sexismo, pela vida das mulheres negras.

