Inscrições abertas para a V Jornada pela Vida das Mulheres Negras do Nordeste 

Com realização entre os dias 21 e 30 de novembro, este ano a Jornada evidencia a importância da educação para a prevenção do feminicídio

Estão abertas as inscrições para a V Jornada pela Vida das Mulheres Negras do Nordeste, que acontece anualmente, entre os dias 21 e 30 novembro, em todos os estados da região Nordeste. 

A Jornada é organizada pelo Observatório da Violência contra as Mulheres Negras do Nordeste e o Grupo de Trabalho (GT) de Enfrentamento à violência contra as Mulheres Negras da Rede de Mulheres Negras do Nordeste e acontece tanto presencialmente quanto virtualmente, com a mobilização de movimentos, organizações e coletivos da região através de rodas de conversa, oficinas, marchas, debates, entre outras. A iniciativa se insere nos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, reafirmando a luta contra o feminicídio e outras formas de violência. 

Este ano, a Jornada traz como tema “Educação para uma vida livre de violência: caminhos para prevenir o feminicídio no Nordeste”, evidenciando um contexto em que as mulheres negras continuam a ser a grande maioria das vítimas de feminicídio no Brasil, representando 65,1% do total de 1.571 casos registrados no país, de acordo com os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). 

Luciana Lindenmeyer, ativista que integra o Grupo de Trabalho (GT) de Enfrentamento à violência contra as Mulheres Negras da Rede de Mulheres Negras do Nordeste, ressalta a importância de direcionar a Jornada deste ano para o campo da educação. “Diante dos índices alarmantes de feminicídio e violência contra a mulher, entendemos que esse ano o tema da jornada precisa falar sobre prevenção e como que a gente desde muito cedo atua na educação de meninas para identificarem sinais de relacionamento tóxico, e meninos para serem pessoas  que respeitam a vontade, o corpo das mulheres. Então o tema deste ano entende a educação como fundamental para esse processo de prevenção de violências”, afirmou. 

Trazer a discussão para as escolas, sem se distanciar dos dados como ferramenta de incidência política, é uma das estratégias destacadas por Lúcia Azevêdo, integrante do Observatório da Violência contra as Mulheres Negras do Nordeste. “A escola precisa trazer para o espaço pedagógico os tipos de violência, ensinar crianças e adolescentes quais são as formas de violência, pois essas são estratégias que fortalecem a prevenção. Quanto mais informação se tem, mais se consegue sair desse lugar. O rompimento do machismo requer também um trabalho com os meninos para uma reeducação. Para além disso, vamos dar visibilidade aos dados que são nossa mola propulsora no sentido do enfrentamento, da incidência política. Educar para uma vida livre da violência é um caminho pra gente romper com o feminicídio no Nordeste.“, destacou. 

Organizações, coletivos, movimentos de mulheres negras e ativistas da região Nordeste já podem inscrever suas atividades para compor a programação da Agenda Coletiva. As inscrições estão abertas até o dia 30 de outubro e podem ser feitas no formulário disponível no site da Rede de Mulheres Negras do Nordeste, neste link: https://forms.gle/RvnbHkugteiKVmUi7 

JORNADA PELA VIDA DAS MULHERES NEGRAS DO NORDESTE 

A 1ª edição da Jornada foi realizada em novembro de 2022, e nasceu a partir da necessidade de mobilizar organizações sociais, culturais, artísticas, educacionais, comunitárias e afins, de toda a região Nordeste, que atuam no combate ao racismo e sexismo, para articuladas, incidirem no combate à violência doméstica e feminicídio na região.

Atualmente, a Jornada é organizada pelo Observatório da Violência contra as Mulheres Negras do Nordeste e o Grupo de Trabalho (GT) de Enfrentamento à violência contra as Mulheres Negras da Rede de Mulheres Negras do Nordeste. 

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